Prefácio:
Como eu, uma garota sem graça, feia, nerd e atrapalhada poderia sequer imaginar que ele gostava de mim? Não pode, isso não existe!
Eu realmente gostei dele, mesmo não sabendo quem ele era... Mas não importa, agora eu estou aqui, chorando, sozinha, e tudo por causa do telefone...
Capitulo Único – O início, meio e fim.
A minha história não tem nada de extraordinário, pelo menos não pra vocês. Na verdade eu estou deitada na cama agora, com o telefone tocando sem parar, com lágrimas descendo dos meus olhos e escrevendo porque eu preciso desabafar, por isso, me perdoem se eu escrever algo errado ou incoerente, porque as lágrimas estão meio que empatando a minha visão e estou com uma baita dor de cabeça.
Tudo começou com um telefonema, sim, um telefonema.
No meu quarto tem um telefone rosa que minha tia comprou pra mim uns quatro anos atrás, tem um número próprio então se alguém ligar pra mim, não tem risco de alguém na sala interceptar a ligação. Ele já caiu diversas vezes, eu já joguei ele do outro lado do quarto, mas mesmo assim ele funciona até hoje. Eu queria que não fosse assim.
Mas eu acho melhor parar de enrolar e contar logo o porquê de eu estar chorando e escrevendo...
Um dia, a exato um mês e meio atrás, quando cheguei da escola recebi uma ligação. Eu não ia atender, já era noite, eu estava cansada e ainda estava carregando um monte de livros que tinha pegado na biblioteca, adoro filosofia, matemática e fisiologia. E como eu estou no 3º ano do ensino médio eu tenho que ler sobre isso porque eu ainda não sei qual profissão seguir, estou em dúvida entre ser professora, médica ou administrar empresas. Então com tudo isso, eu resolvi mesmo não atender ao telefone, mesmo sendo importante, eu estava cheia de coisas na mão. Mas a ligação era importante e eu deveria ter atendido.
Se eu tivesse atendido ao telefone eu iria falar com a minha melhor amiga que estava com dúvida em uma questão de matemática, o que era muito importante, e provavelmente ficaríamos vários minutos conversando e eu não atenderia o outro telefonema, porque o telefone estaria ocupado. Mas a vida não é perfeita.
Larguei os livros que estavam na minha mão em cima da mesa de cabeceira, tirei a mochila das costas e joguei-a no chão. Quando ia sentar na cama para tirar os sapatos, o telefone tocou novamente. Então eu pensei:
“ Acho melhor atender, porque se for a mesma pessoa que ligou antes, deve ser mesmo muito importante!”
Eu fui atender ao telefone. Era importante, eu não deveria ter atendido, mas atendi.
Do outro lado da linha uma voz de um homem, na verdade um garoto, achei tinha mais ou menos da minha idade.
- Alô? – Ele não falou, meio perguntou.
- Olá. – falei. – Quem é?
- Eu...eu... – foi aí que eu percebi que ele estava chorando.
- Quem é? E porque está chorando?
- Eu... meus pais, eles estão brigando de novo, brigam todo dia, eu não agüento mais, eles dizem que vão se separar, mas eu não quero isso...
- Calma. – desisti de perguntar quem era, eu só queria ajudar. – Não fique assim tá, isso acontece com muitas pessoas, não adianta ficar assim.
- Eu sei, mas eu não consigo...
- Quantos anos você tem?
- 17.
OK, um rapagão chorando porque a mãe e o pai iriam se separar. Mas não era hora de censurar.
- Olha, não fique assim, tudo vai se resolver tá bem! E não adianta você chorar ou ficar triste, porque não vai resolver nada! Você tem que manter a calma, respirar fundo e enfrentar o que tiver de acontecer com a cabeça erguida OK!
- Obrigado. – ele falou mais calmo – Qual o seu nome?
Agora ele queria saber meu nome... “mas espera aí” pensei “e se for um maníaco maluco falando comigo?” Eu não podia falar meu nome verdadeiro, então menti.
- Fr.. Francineide.
- Francineide, nossa, que nome engraçado. O meu é Thiago, obrigado tá!
Lembrei que conhecia esse nome de algum lugar...
- De nada... quem sabe não é melhor você conversar com os seus pais sobre o que você sente?
- Tenho que ir agora, tchau. – ele falou bruscamente, e o outro lado da linha ficou mudo.
OK, isso tinha sido muito estranho, mas o que no mundo não era estranho?
No outro dia eu já nem lembrava mais do que tinha acontecido, minha mente havia sido tomada por cálculos, atividades, redação, revisões... O meu colégio era muito puxado, mas os alunos que estudavam nele eram iguais a qualquer outro colégio, sempre os mesmos grupos. As patricinhas, os vagais, os idiotas, os populares e o meu grupo, os nerds.
Nesse outro dia, o telefone tocou novamente, e era ele novamente, Thiago.
- Alô. – dessa vez o “alô” dele soou mais forte. – Francineide?
- Sim.
- Sou eu novamente, Thiago.
- Ah, oi! Como você tá?
- Na verdade muito bem. Eu queria dizer obrigado pelos seus conselhos e pedir desculpas por ter desligado bruscamente é que minha mãe tava entrando no quarto.
- Não tudo bem...
- E desculpe também por ter ligado pra você, deve estar achando que eu sou um maníaco maluco não é?
Sério?
- Na verdade... eu pensei isso mesmo.
- Já sabia. Olha, ontem eu estava meio... transtornado sabe, então peguei o telefone, disquei alguns números, e você atendeu. Eu só queria ouvir outra voz, só queria um pouco de paz.
- Tudo bem. Mas iaí, funcionou o que eu te disse, sobre conversar com os seus pais?
- Sim, fez eu me sentir melhor.
- E eles vão mesmo se separar?
Ele suspirou.
- Sim. Já entraram com o processo e meu pai saiu de casa hoje.
- Eu sinto muito.
- Não sinta... era só isso mesmo, obrigado viu!
- Nada, estou sempre à disposição.
- Então tchau.
- Tchau.
De alguma maneira eu fiquei feliz por ele estar bem e por meus conselhos terem dado certo, agora eu também estava pensando em fazer psicologia.
No outro dia me surpreendi por esperar que ele ligasse novamente, eu tinha gostado de conversar com ele, a voz dele era grossa, mas ao mesmo tempo delicada, com um tom leve... dava vontade de ficar conversando com ele por horas. Mas ele não ligou nesse outro dia, nem no outro, nem no outro. Mesmo estando triste por ele não ter ligado eu não falei nada pra ninguém, não desabafei com ninguém, não queria que ninguém se metesse na minha vida. E se eu ainda pensava que ele deveria ser um maníaco louco, esse pensamento já tinha se esvaído.
Eu já tinha me acostumado com o fato de que ele só queria mesmo um conselho e que eu esperar por mais era pura bobagem. Mas quando eu menos esperava, ele ligou de novo.
- Alô.
Eu quase pulei de felicidade quando reconheci a voz.
- Olá.
- Você deve estar se perguntando por que eu liguei de novo.
- Hum...
- É que eu queria ouvir sua voz.
Depois dessa eu tive que sentar no chão, ninguém, nunca, nunquinha tinha dito isso pra mim.
- É sério?
- Sim, eu teria ligado antes sabe, mas eu fiquei com medo de você achar que eu era um chato que estava pegando no seu pé.
- Não, na verdade eu queria ouvir sua voz também... quer dizer, pra saber se você estava bem...
- Ah, sério?
- Sim. – falei timidamente.
Depois desse dia, agente sempre se falava pelo telefone. Sobre como tinha sido o dia um do outro, sobre problemas, alegrias, tristezas, desafios... chegamos até a trocar algumas palavras de amor. Passamos um mês assim, ele até tinha me dado o número do telefone dele. Tudo estava indo muito bem, até que, por causa de uma série de coincidências, descobrimos que estudávamos no mesmo colégio.
- E em que ano você está? – perguntei.
- Terceiro.
- Impossível!
- Por quê?
- Eu também estou no terceiro.
- Sério? – eu já tinha percebido que ele tinha mania de falar “sério”.
- Sim... sabe, eu não sei bem se eu quero saber qual é a sua turma...
- E por que não? – ele perguntou meio triste.
- Não sei... vai que agente é da mesma turma e descubro que você é do grupo dos meninos populares – brinquei.
- E qual seria o problema disso?
- Na verdade nenhum...
- Ah... porque tecnicamente, eu faço parte do grupo dos populares.
- Sério? – dessa vez eu falei.
- Sim. Mas eu acho difícil você ser da mesma sala que eu. Não conheço nenhuma Francineide por lá.
Epa!
- Ah, então... na verdade o meu nome não é Francineide.
- Não?
- Não, é Paula.
- Paula? Você quer dizer Paula, a nerd da turma A?
Droga! Tudo clareou na minha mente.
- Sim, e você é o Thiago, o menino mais popular da escola e da turma A. – Eu ainda não estava acreditando que eu falava toda noite com o menino mais popular e mais bonito da escola, e que ainda era da minha sala.
- Bem... é... nossa, isso é estranho. Você estuda comigo desde a 8ª e eu nunca falei direito com você. – ele falou.
- Na verdade, é desde a 6ª série.
- Hum... não sei porque eu nunca falei com você antes, você é legal.
- Ah, obrigada... mas isso muda tudo não é?
- Por quê?
- Você ainda vai continuar a falar comigo?
- Claro que sim. Agora me diz, por que você não me disse o seu nome verdadeiro?
Suspirei aliviada. Eu mal podia acreditar que eu agora era amiga do Thiago, e não um Thiago qualquer, o menino mais lindo do colégio. Nesse dia eu realmente achei que tudo tinha acabado bem... mas estava enganada.
No outro dia, no colégio, eu fui falar com ele, ele não falou comigo, na verdade, ele me ignorou. Eu achei que era porque ele estava ocupado conversando com os amigos dele. Mas eu tentei novamente depois, e ele agiu da mesma forma. Resolvi esperar até a noite para falar com ele.
Ele ligou, e eu perguntei porque ele não tinha falado comigo naquele dia na escola. Ele falou simplesmente que ele nunca tinha falado comigo no colégio, e que não fazia sentido ele falar agora. Então eu entendi tudo. Ele ia continuar sim falando comigo, mas pelo telefone... e porque? Simplesmente porque eu era uma nerd, sem graça e feia, e ele, lindo e popular.
Como eu poderia ter sido tão ingênua? A ponto de achar que ele gostava de mim, que tudo ia mudar por causa de uns telefonemas! Eu realmente gostei dele, mesmo não sabendo quem ele era e fiquei feliz por ter descobrido quem ele era, mas isso não importava mais.
Acabei desligando na cara dele, do Thiago e agora aqui estou eu, chorando, sozinha e escrevendo.
Desculpem por ter tomado o tempo de vocês, é que eu precisava mesmo desabafar.
O telefone continua tocando, mas eu não vou atender, eu vou arrancar o fio e jogar o telefone no chão. Quem sabe assim esse maldito telefone não quebra de vez?
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O Telefone II
Prefácio:
Como eu, o garoto mais popular da escola, mais bonito e pegador das gatas poderia sequer imaginar que iria me apaixonar por... ela.
Eu realmente gostei dela, mas ela não entende que eu simplesmente não posso manchar a minha reputação!
Agora aqui estou eu, pensando em tudo que aconteceu, tentando falar com ela, andando feito louco pelo quarto, mas ela não me atende! Maldito telefone!
Eu simplesmente tenho que resolver isso...
Capitulo Único – O início, meio e fim.
Eu tenho certeza que com a minha história vocês vão achar que eu sou um idiota, digo, as garotas vão achar, mas eu não as culpo, eu realmente fui um idiota. No momento eu estou tentando ligar para ela, mas ela não me atende! Tenho certeza que daqui a pouco eu vou jogar esse meu telefone longe! Tudo aconteceu por causa desse telefone, ou será que foi por causa dos meus pais? Sim, é duas vezes culpa dos meus pais.
Culpa número um: Eles compraram esse telefone pra mim, ele é preto. Na verdade é o segundo telefone, o primeiro era laranja, mas acabei quebrando, então eles compraram outro. Eu realmente queria que eles não tivessem comprado.
Culpa número dois: Eu só disquei aqueles números porque... bem... os meus pais estavam brigando. Desde quando eu era um pirralho eles brigavam muito, então eu não agüento mais, sempre quando isso acontece, eu fico morrendo de dor de cabeça, me tranco no meu quarto e choro, porque eles gritam e dá pra ouvir a briga deles no meu quarto de qualquer jeito. Qual o motivo da briga? Qualquer coisa que um ou outro faça de errado. É claro que ninguém da escola sabe disso, ia ser o maior mico, ou melhor, ninguém sabia, no passado. Eu realmente queria que os meus pais não brigassem.
Mas vou parar de enrolar e contar logo como tudo aconteceu. Foi em mais uma das brigas deles. Eu simplesmente fui para o quarto, fechei a porta e peguei o telefone com um impulso de jogá-lo longe, mas ao invés disso eu disquei alguns números e para meu espanto, alguém atendeu.
- Alô? – Eu não falei, meio que perguntei.
- Olá. Quem é?
Percebi que era a voz se uma mulher, não uma mulher de verdade, a voz era de uma garota, acho que mais ou menos da mesma idade que a minha.
- Eu...eu... – de repente comecei a chorar, eu mal podia acreditar que estava ouvindo a voz de outra pessoa, de alguém que não estava gritando.
- Quem é? E porque está chorando?
- Eu... meus pais, eles estão brigando de novo, - desabafei - brigam todo dia, eu não agüento mais, eles dizem que vão se separar, mas eu não quero isso...
- Calma. Não fique assim tá, isso acontece com muitas pessoas, não adianta ficar assim.
- Eu sei, mas eu não consigo...
- Quantos anos você tem?
- 17.
Sabia que ela ia me achar um idiota, mas o que importava isso agora?
- Olha, não fique assim, tudo vai se resolver tá bem! – ela falou com um tom sério - E não adianta você chorar ou ficar triste, porque não vai resolver nada! Você tem que manter a calma, respirar fundo e enfrentar o que tiver de acontecer com a cabeça erguida OK!
- Obrigado. – eu já estava mais calmo, ouvir a voz dela tinha me deixado assim – Qual o seu nome?
- Fr.. Francineide.
- Francineide, nossa, que nome engraçado. – eu milagrosamente quase ri - O meu é Thiago, obrigado tá!
- De nada... quem sabe não é melhor você conversar com os seus pais sobre o que você sente?
Nessa hora ouvi alguém perto da porta.
- Tenho que ir agora, tchau. – falei rapidamente e desliguei o telefone.
Era a minha mãe, ela entrou chorando e me abraçou, me pediu desculpas, ela sempre fazia isso depois das brigas.
Com o que a Francineide tinha dito pra mim em mente, eu falei pra ela que precisava conversar com ele e o meu pai. Chamei ele e nós conversamos.
Foi a melhor conversa entre família que eu já tive. Eu desabafei, falei tudo o que eu sentia pra eles e eles me ouviram, e os dois me pediram desculpas, mas me falaram que não tinha jeito, que eles iam se separar. Eu pensei que se fosse pra não continuar com aquelas brigas, era realmente o melhor a fazer. Meu pai iria embora no outro dia.
Eu fiquei triste com isso, mas fiquei feliz também por tudo ter se resolvido, pelo conselho da Francineide.
No outro dia, com a cabeça mais leve, eu liguei pra ela. Eu precisava explicar tudo o que tinha acontecido, na certa ela deveria estar achando que eu era um maníaco maluco. Fiquei feliz por perceber que eu ainda lembrava os números que eu havia discado.
- Alô. Francineide?
- Sim.
- Sou eu novamente, Thiago.
- Ah, oi! Como você tá? – ela falou com a voz doce.
- Na verdade muito bem. – falei - Eu queria dizer obrigado pelos seus conselhos e pedir desculpas por ter desligado bruscamente é que minha mãe tava entrando no quarto.
- Não tudo bem...
- E desculpe também por ter ligado pra você, deve estar achando que eu sou um maníaco maluco não é? – brinquei.
- Na verdade... eu pensei isso mesmo. – ela admitiu.
- Já sabia. – falei rindo por dentro por ter tido as minhas suspeitas confirmadas - Olha, ontem eu estava meio... transtornado sabe, então peguei o telefone, disquei alguns números, e você atendeu. Eu só queria ouvir outra voz, só queria um pouco de paz.
- Tudo bem. – ela falou simplesmente - Mas iaí, funcionou o que eu te disse, sobre conversar com os seus pais?
- Sim, fez eu me sentir melhor.
- E eles vão mesmo se separar?
Suspirei.
- Sim. Já entraram com o processo e meu pai saiu de casa hoje.
- Eu sinto muito.
- Não sinta... era só isso mesmo, obrigado viu!
- Nada, estou sempre à disposição.
- Então tchau.
- Tchau.
Desliguei o telefone aliviado, mas na verdade eu gostaria de não ter desligado, queria falar com ela mais um pouco, ouvir a voz que me trazia paz, a voz doce...
Anotei o número do telefone dela só por precaução, quem sabe eu não ligaria pra ela novamente?
No outro dia eu andei de um lado pro outro do quarto, impaciente, eu queria muito ligar pra ela, mas eu achei que era muito abuso e mesmo se eu tivesse coragem de ligar o que eu falaria? Eu não tinha um motivo concreto, eu só queria ouvir a voz dela. Cheguei bem perto do telefone, mas depois pensei melhor. Não, era melhor esperar alguns dias pelo menos.
Esses outros dias passaram como uma espécie de tortura, até que eu não agüentei mais e quando eu percebi, já estava com o telefone na mão.
- Alô.
Eu quase pulei de felicidade quando ouvi a voz dela.
- Olá. – ela falou, parecia que ela estava feliz com algo.
- Você deve estar se perguntando por que eu liguei de novo. – falei timidamente, eu tinha resolvido falar simplesmente a verdade.
- Hum... – ela murmurou.
- É que eu queria ouvir sua voz.
Ela suspirou baixinho.
- É sério? – perguntou.
- Sim, - então eu joguei tudo pra fora - eu teria ligado antes sabe, mas eu fiquei com medo de você achar que eu era um chato que estava pegando no seu pé.
- Não, - ela falou rapidamente - na verdade eu queria ouvir sua voz também... quer dizer, pra saber se você estava bem...
- Ah, sério? – perguntei feliz.
- Sim.
Depois desse dia, agente sempre se falava pelo telefone. Sobre como tinha sido o dia um do outro, descobri que ela tinha a mesma idade que a minha e outras coisas. Eu até cheguei a soltar um “eu gosto de você”, coisa que eu nunca tinha falado sinceramente com nenhuma outra garota. Mas como isso podia estar acontecendo, eu nunca tinha a tinha visto! Mais eu tinha certeza de que ela deveria ser linda.
Passamos algum tempo assim, eu também dei o meu número de telefone pra se ela quisesse ligar. Tudo estava indo muito bem, até que, por causa de uma série de coincidências, descobrimos que estudávamos no mesmo colégio.
- E em que ano você está? – ela me perguntou.
- Terceiro.
- Impossível!
- Por quê?
- Eu também estou no terceiro.
- Sério? – falei surpreso.
- Sim... sabe, eu não sei bem se eu quero saber qual é a sua turma...
- E por que não? – perguntei meio triste. Será que ela não iria querer mais falar comigo se descobrisse quem eu era? Balancei a minha cabeça, eu nunca na minha vida tinha me sentido inseguro com uma garota.
- Não sei... vai que agente é da mesma turma e descubro que você é do grupo dos meninos populares.
- E qual seria o problema disso? – perguntei alarmado.
- Na verdade nenhum...
- Ah... porque tecnicamente, eu faço parte do grupo dos populares. – soltei a verdade.
- Sério? – ela perguntou incredulamente.
- Sim. Mas eu acho difícil você ser da mesma sala que eu. Não conheço nenhuma Francineide por lá. – falei tentando lembrar se tinha realmente alguma Francineide na minha sala. Impossível, esse nome era inesquecível.
Ela ficou uns segundos em silêncio e falou.
- Ah, então... na verdade o meu nome não é Francineide.
- Não?
- Não, é Paula.
- Paula? – mas tinha uma Paula na minha sala! Eu mal podia acreditar... - Você quer dizer Paula, a nerd da turma A?
- Sim, - ela confirmou - e você é o Thiago, o menino mais popular da escola e da turma A.
Isso realmente era um problema. Ela estava certa por não querer saber se estudávamos na mesma sala. Se a galera descobrisse que eu estava me apaixonando por uma nerd, a minha reputação ia por água a baixo!
- Bem... é... nossa, isso é estranho. Você estuda comigo desde a 8ª e eu nunca falei direito com você. – falei tentando não demonstrar o meu desconforto.
- Na verdade, é desde a 6ª série.
- Hum... não sei porque eu nunca falei com você antes, você é legal. – falei sinceramente, isso eu não podia simplesmente negar.
- Ah, obrigada... mas isso muda tudo não é?
- Por quê? – perguntei alarmado.
- Você ainda vai continuar a falar comigo?
- Claro que sim. – falei rapidamente e mudei de assunto - Agora me diz, por que você não me disse o seu nome verdadeiro?
Essa conversa se prolongou por mais alguns minutos. Quando desliguei, eu estava com a cabeça rodando. O que eu iria fazer? Eu simplesmente estava apaixonado pela Paula, a mais nerd do grupo dos nerds, grupo esse que era odiado pelo grupo dos populares porque a mega inteligência deles chamavam a atenção nas aulas, o único lugar em que os populares não chamavam atenção. Eu realmente não ligava para isso, mas o resto do meu grupo ligava e se eles descobrissem isso...
No outro dia eu a vi. Nossa, ela era linda mesmo, como eu tinha imaginado, eu queria muito ir falar com ela, mas eu não podia.
Quando eu estava conversando com os meus amigos ela me chamou, a voz doce, mas eu não me virei. Na mesma hora os meus amigos perguntaram de onde eu a conhecia, eu disse que não conhecia. Ela me chamou outras vezes, mas eu não respondi. Eu menti só pra não perder a minha reputação. A pior coisa que eu já fiz em toda a minha vida.
Nesse mesmo dia, assim que eu pude liguei pra ela. Tentei não pensar no que tinha acontecido pela manhã. Eu sei que era muita cara de pau minha mas eu precisava ligar pra ela.
Ela perguntou por que eu não tinha falado com ela e menti mais uma vez. Eu disse que eu nunca tinha falado com ela no colégio, e que não fazia sentido eu falar agora. Ela desligou o telefone na minha cara, mas antes dela desligar eu pude ouvir ela começar a chorar.
Droga! Mas o que eu estava pensando? Mentindo só pra manter a reputação, que reputação? Agora eu não tinha nenhuma, ela não valia nada pra mim, ela não ia trazer a Paula pra mim! Eu era simplesmente um canalha!
Eu tentei ligar pra ela novamente, dizer que era tudo mentira, que eu a amava muito e implorar por desculpas. Mas ela não me atendeu, nem na primeira, nem na segunda, nem nas outras vezes que eu liguei. Maldito telefone!
Droga! Droga! O que eu ia fazer agora? Eu tinha que consertar essa burrada! Eu tinha que fazer alguma coisa! “E vou fazer!” pensei.
Eu não consegui dormir, no outro dia no colégio ela não estava lá. A noite eu tentei ligar novamente, mas o telefone estava mudo. No outro dia, a mesma coisa e no outro dia também. Os meus amigos me perguntavam o que estava acontecendo e eu simplesmente não disse nada.
Finalmente ela foi pra escola, eu quase pulei de felicidade, mas percebi que ela ainda estava triste. Fui falar com ela, mas dessa vez ela me ignorou. Tudo bem, ela queria me ignorar, mas o resto do colégio não podia me ignorar.
Simplesmente saí da sala e fui na diretoria, pedi a diretora pra usar o microfone. Sempre quando ela tinha algum comunicado ela falava no microfone e a sua voz ecoava pelos alto-falantes da escola. Ela disse não, mas eu implorei, expliquei porque eu precisava, ela escutou tudo e por fim cedeu. Respirei fundo e falei no microfone.
- Aqui quem tá falando é o Thiago do 3° ano A. Paula, por favor me escute! Na verdade, eu quero que a escola inteira escute!
“Eu amo a Paula, eu amo! Ela mesma, Paula do 3ª ano A eu a amo! Eu queria dizer isso e pedir desculpas por ter sido um idiota, um canalha, um imbecil e muitos outros adjetivos horríveis que vocês puderem imaginar. Eu não queria admitir isso porque ela é do grupo dos nerds, a nerd mais inteligente, mais meiga e mais linda que eu já conheci, porque eu não queria perder a minha reputação de popular da escola. Mas eu descobri que isso não é nada porque perder a Paula com certeza vai ser a pior coisa que eu faria na vida! Vocês não podem nem imaginar o bem que ela me faz, os conselhos que ela me dá. Ela me ajudou em um dos piores momentos da minha vida e agora eu estou fazendo ela sofrer! Eu quero que todos vocês ouçam isso: Paula, por favor me perdoe!! Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...”
A porta da diretoria abriu e a visão mais linda apareceu na minha frente Paula. Ela arrancou o microfone da minha mão.
- Cala a boca. – ela falou séria. Eu quase gritei de felicidade por ter ouvido aquela voz doce novamente.
- Paula me desculpe... – comecei.
- Eu disse pra parar de falar! Agora é a minha vez!
Fiquei quieto.
- Você foi sim um idiota, canalha, imbecil, cachorro, ignorante, imaturo, inconseqüente... esses são os adjetivos que eu consigo imaginar agora... mas eu te amo!
Ela veio até mim e me beijou. O beijo mais verdadeiro que eu já recebi, o melhor beijo da minha vida.....
Agora nós estamos juntos, os meus amigos, ou melhor ex-amigos se pode chamar eles de amigos, não apoiaram, eu não liguei, agora tenho outros amigos, os nerds, mesmo não sendo um. Continuo popular, a galera do colégio, ou melhor, as garotas do colégio, adoraram a minha declaração via alto-falante. A Paula morreu de ciúmes, mas nenhuma garota me chama atenção, só ela. Por que? Porque eu a amo, simples assim.
Como eu, o garoto mais popular da escola, mais bonito e pegador das gatas poderia sequer imaginar que iria me apaixonar por... ela.
Eu realmente gostei dela, mas ela não entende que eu simplesmente não posso manchar a minha reputação!
Agora aqui estou eu, pensando em tudo que aconteceu, tentando falar com ela, andando feito louco pelo quarto, mas ela não me atende! Maldito telefone!
Eu simplesmente tenho que resolver isso...
Capitulo Único – O início, meio e fim.
Eu tenho certeza que com a minha história vocês vão achar que eu sou um idiota, digo, as garotas vão achar, mas eu não as culpo, eu realmente fui um idiota. No momento eu estou tentando ligar para ela, mas ela não me atende! Tenho certeza que daqui a pouco eu vou jogar esse meu telefone longe! Tudo aconteceu por causa desse telefone, ou será que foi por causa dos meus pais? Sim, é duas vezes culpa dos meus pais.
Culpa número um: Eles compraram esse telefone pra mim, ele é preto. Na verdade é o segundo telefone, o primeiro era laranja, mas acabei quebrando, então eles compraram outro. Eu realmente queria que eles não tivessem comprado.
Culpa número dois: Eu só disquei aqueles números porque... bem... os meus pais estavam brigando. Desde quando eu era um pirralho eles brigavam muito, então eu não agüento mais, sempre quando isso acontece, eu fico morrendo de dor de cabeça, me tranco no meu quarto e choro, porque eles gritam e dá pra ouvir a briga deles no meu quarto de qualquer jeito. Qual o motivo da briga? Qualquer coisa que um ou outro faça de errado. É claro que ninguém da escola sabe disso, ia ser o maior mico, ou melhor, ninguém sabia, no passado. Eu realmente queria que os meus pais não brigassem.
Mas vou parar de enrolar e contar logo como tudo aconteceu. Foi em mais uma das brigas deles. Eu simplesmente fui para o quarto, fechei a porta e peguei o telefone com um impulso de jogá-lo longe, mas ao invés disso eu disquei alguns números e para meu espanto, alguém atendeu.
- Alô? – Eu não falei, meio que perguntei.
- Olá. Quem é?
Percebi que era a voz se uma mulher, não uma mulher de verdade, a voz era de uma garota, acho que mais ou menos da mesma idade que a minha.
- Eu...eu... – de repente comecei a chorar, eu mal podia acreditar que estava ouvindo a voz de outra pessoa, de alguém que não estava gritando.
- Quem é? E porque está chorando?
- Eu... meus pais, eles estão brigando de novo, - desabafei - brigam todo dia, eu não agüento mais, eles dizem que vão se separar, mas eu não quero isso...
- Calma. Não fique assim tá, isso acontece com muitas pessoas, não adianta ficar assim.
- Eu sei, mas eu não consigo...
- Quantos anos você tem?
- 17.
Sabia que ela ia me achar um idiota, mas o que importava isso agora?
- Olha, não fique assim, tudo vai se resolver tá bem! – ela falou com um tom sério - E não adianta você chorar ou ficar triste, porque não vai resolver nada! Você tem que manter a calma, respirar fundo e enfrentar o que tiver de acontecer com a cabeça erguida OK!
- Obrigado. – eu já estava mais calmo, ouvir a voz dela tinha me deixado assim – Qual o seu nome?
- Fr.. Francineide.
- Francineide, nossa, que nome engraçado. – eu milagrosamente quase ri - O meu é Thiago, obrigado tá!
- De nada... quem sabe não é melhor você conversar com os seus pais sobre o que você sente?
Nessa hora ouvi alguém perto da porta.
- Tenho que ir agora, tchau. – falei rapidamente e desliguei o telefone.
Era a minha mãe, ela entrou chorando e me abraçou, me pediu desculpas, ela sempre fazia isso depois das brigas.
Com o que a Francineide tinha dito pra mim em mente, eu falei pra ela que precisava conversar com ele e o meu pai. Chamei ele e nós conversamos.
Foi a melhor conversa entre família que eu já tive. Eu desabafei, falei tudo o que eu sentia pra eles e eles me ouviram, e os dois me pediram desculpas, mas me falaram que não tinha jeito, que eles iam se separar. Eu pensei que se fosse pra não continuar com aquelas brigas, era realmente o melhor a fazer. Meu pai iria embora no outro dia.
Eu fiquei triste com isso, mas fiquei feliz também por tudo ter se resolvido, pelo conselho da Francineide.
No outro dia, com a cabeça mais leve, eu liguei pra ela. Eu precisava explicar tudo o que tinha acontecido, na certa ela deveria estar achando que eu era um maníaco maluco. Fiquei feliz por perceber que eu ainda lembrava os números que eu havia discado.
- Alô. Francineide?
- Sim.
- Sou eu novamente, Thiago.
- Ah, oi! Como você tá? – ela falou com a voz doce.
- Na verdade muito bem. – falei - Eu queria dizer obrigado pelos seus conselhos e pedir desculpas por ter desligado bruscamente é que minha mãe tava entrando no quarto.
- Não tudo bem...
- E desculpe também por ter ligado pra você, deve estar achando que eu sou um maníaco maluco não é? – brinquei.
- Na verdade... eu pensei isso mesmo. – ela admitiu.
- Já sabia. – falei rindo por dentro por ter tido as minhas suspeitas confirmadas - Olha, ontem eu estava meio... transtornado sabe, então peguei o telefone, disquei alguns números, e você atendeu. Eu só queria ouvir outra voz, só queria um pouco de paz.
- Tudo bem. – ela falou simplesmente - Mas iaí, funcionou o que eu te disse, sobre conversar com os seus pais?
- Sim, fez eu me sentir melhor.
- E eles vão mesmo se separar?
Suspirei.
- Sim. Já entraram com o processo e meu pai saiu de casa hoje.
- Eu sinto muito.
- Não sinta... era só isso mesmo, obrigado viu!
- Nada, estou sempre à disposição.
- Então tchau.
- Tchau.
Desliguei o telefone aliviado, mas na verdade eu gostaria de não ter desligado, queria falar com ela mais um pouco, ouvir a voz que me trazia paz, a voz doce...
Anotei o número do telefone dela só por precaução, quem sabe eu não ligaria pra ela novamente?
No outro dia eu andei de um lado pro outro do quarto, impaciente, eu queria muito ligar pra ela, mas eu achei que era muito abuso e mesmo se eu tivesse coragem de ligar o que eu falaria? Eu não tinha um motivo concreto, eu só queria ouvir a voz dela. Cheguei bem perto do telefone, mas depois pensei melhor. Não, era melhor esperar alguns dias pelo menos.
Esses outros dias passaram como uma espécie de tortura, até que eu não agüentei mais e quando eu percebi, já estava com o telefone na mão.
- Alô.
Eu quase pulei de felicidade quando ouvi a voz dela.
- Olá. – ela falou, parecia que ela estava feliz com algo.
- Você deve estar se perguntando por que eu liguei de novo. – falei timidamente, eu tinha resolvido falar simplesmente a verdade.
- Hum... – ela murmurou.
- É que eu queria ouvir sua voz.
Ela suspirou baixinho.
- É sério? – perguntou.
- Sim, - então eu joguei tudo pra fora - eu teria ligado antes sabe, mas eu fiquei com medo de você achar que eu era um chato que estava pegando no seu pé.
- Não, - ela falou rapidamente - na verdade eu queria ouvir sua voz também... quer dizer, pra saber se você estava bem...
- Ah, sério? – perguntei feliz.
- Sim.
Depois desse dia, agente sempre se falava pelo telefone. Sobre como tinha sido o dia um do outro, descobri que ela tinha a mesma idade que a minha e outras coisas. Eu até cheguei a soltar um “eu gosto de você”, coisa que eu nunca tinha falado sinceramente com nenhuma outra garota. Mas como isso podia estar acontecendo, eu nunca tinha a tinha visto! Mais eu tinha certeza de que ela deveria ser linda.
Passamos algum tempo assim, eu também dei o meu número de telefone pra se ela quisesse ligar. Tudo estava indo muito bem, até que, por causa de uma série de coincidências, descobrimos que estudávamos no mesmo colégio.
- E em que ano você está? – ela me perguntou.
- Terceiro.
- Impossível!
- Por quê?
- Eu também estou no terceiro.
- Sério? – falei surpreso.
- Sim... sabe, eu não sei bem se eu quero saber qual é a sua turma...
- E por que não? – perguntei meio triste. Será que ela não iria querer mais falar comigo se descobrisse quem eu era? Balancei a minha cabeça, eu nunca na minha vida tinha me sentido inseguro com uma garota.
- Não sei... vai que agente é da mesma turma e descubro que você é do grupo dos meninos populares.
- E qual seria o problema disso? – perguntei alarmado.
- Na verdade nenhum...
- Ah... porque tecnicamente, eu faço parte do grupo dos populares. – soltei a verdade.
- Sério? – ela perguntou incredulamente.
- Sim. Mas eu acho difícil você ser da mesma sala que eu. Não conheço nenhuma Francineide por lá. – falei tentando lembrar se tinha realmente alguma Francineide na minha sala. Impossível, esse nome era inesquecível.
Ela ficou uns segundos em silêncio e falou.
- Ah, então... na verdade o meu nome não é Francineide.
- Não?
- Não, é Paula.
- Paula? – mas tinha uma Paula na minha sala! Eu mal podia acreditar... - Você quer dizer Paula, a nerd da turma A?
- Sim, - ela confirmou - e você é o Thiago, o menino mais popular da escola e da turma A.
Isso realmente era um problema. Ela estava certa por não querer saber se estudávamos na mesma sala. Se a galera descobrisse que eu estava me apaixonando por uma nerd, a minha reputação ia por água a baixo!
- Bem... é... nossa, isso é estranho. Você estuda comigo desde a 8ª e eu nunca falei direito com você. – falei tentando não demonstrar o meu desconforto.
- Na verdade, é desde a 6ª série.
- Hum... não sei porque eu nunca falei com você antes, você é legal. – falei sinceramente, isso eu não podia simplesmente negar.
- Ah, obrigada... mas isso muda tudo não é?
- Por quê? – perguntei alarmado.
- Você ainda vai continuar a falar comigo?
- Claro que sim. – falei rapidamente e mudei de assunto - Agora me diz, por que você não me disse o seu nome verdadeiro?
Essa conversa se prolongou por mais alguns minutos. Quando desliguei, eu estava com a cabeça rodando. O que eu iria fazer? Eu simplesmente estava apaixonado pela Paula, a mais nerd do grupo dos nerds, grupo esse que era odiado pelo grupo dos populares porque a mega inteligência deles chamavam a atenção nas aulas, o único lugar em que os populares não chamavam atenção. Eu realmente não ligava para isso, mas o resto do meu grupo ligava e se eles descobrissem isso...
No outro dia eu a vi. Nossa, ela era linda mesmo, como eu tinha imaginado, eu queria muito ir falar com ela, mas eu não podia.
Quando eu estava conversando com os meus amigos ela me chamou, a voz doce, mas eu não me virei. Na mesma hora os meus amigos perguntaram de onde eu a conhecia, eu disse que não conhecia. Ela me chamou outras vezes, mas eu não respondi. Eu menti só pra não perder a minha reputação. A pior coisa que eu já fiz em toda a minha vida.
Nesse mesmo dia, assim que eu pude liguei pra ela. Tentei não pensar no que tinha acontecido pela manhã. Eu sei que era muita cara de pau minha mas eu precisava ligar pra ela.
Ela perguntou por que eu não tinha falado com ela e menti mais uma vez. Eu disse que eu nunca tinha falado com ela no colégio, e que não fazia sentido eu falar agora. Ela desligou o telefone na minha cara, mas antes dela desligar eu pude ouvir ela começar a chorar.
Droga! Mas o que eu estava pensando? Mentindo só pra manter a reputação, que reputação? Agora eu não tinha nenhuma, ela não valia nada pra mim, ela não ia trazer a Paula pra mim! Eu era simplesmente um canalha!
Eu tentei ligar pra ela novamente, dizer que era tudo mentira, que eu a amava muito e implorar por desculpas. Mas ela não me atendeu, nem na primeira, nem na segunda, nem nas outras vezes que eu liguei. Maldito telefone!
Droga! Droga! O que eu ia fazer agora? Eu tinha que consertar essa burrada! Eu tinha que fazer alguma coisa! “E vou fazer!” pensei.
Eu não consegui dormir, no outro dia no colégio ela não estava lá. A noite eu tentei ligar novamente, mas o telefone estava mudo. No outro dia, a mesma coisa e no outro dia também. Os meus amigos me perguntavam o que estava acontecendo e eu simplesmente não disse nada.
Finalmente ela foi pra escola, eu quase pulei de felicidade, mas percebi que ela ainda estava triste. Fui falar com ela, mas dessa vez ela me ignorou. Tudo bem, ela queria me ignorar, mas o resto do colégio não podia me ignorar.
Simplesmente saí da sala e fui na diretoria, pedi a diretora pra usar o microfone. Sempre quando ela tinha algum comunicado ela falava no microfone e a sua voz ecoava pelos alto-falantes da escola. Ela disse não, mas eu implorei, expliquei porque eu precisava, ela escutou tudo e por fim cedeu. Respirei fundo e falei no microfone.
- Aqui quem tá falando é o Thiago do 3° ano A. Paula, por favor me escute! Na verdade, eu quero que a escola inteira escute!
“Eu amo a Paula, eu amo! Ela mesma, Paula do 3ª ano A eu a amo! Eu queria dizer isso e pedir desculpas por ter sido um idiota, um canalha, um imbecil e muitos outros adjetivos horríveis que vocês puderem imaginar. Eu não queria admitir isso porque ela é do grupo dos nerds, a nerd mais inteligente, mais meiga e mais linda que eu já conheci, porque eu não queria perder a minha reputação de popular da escola. Mas eu descobri que isso não é nada porque perder a Paula com certeza vai ser a pior coisa que eu faria na vida! Vocês não podem nem imaginar o bem que ela me faz, os conselhos que ela me dá. Ela me ajudou em um dos piores momentos da minha vida e agora eu estou fazendo ela sofrer! Eu quero que todos vocês ouçam isso: Paula, por favor me perdoe!! Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo...”
A porta da diretoria abriu e a visão mais linda apareceu na minha frente Paula. Ela arrancou o microfone da minha mão.
- Cala a boca. – ela falou séria. Eu quase gritei de felicidade por ter ouvido aquela voz doce novamente.
- Paula me desculpe... – comecei.
- Eu disse pra parar de falar! Agora é a minha vez!
Fiquei quieto.
- Você foi sim um idiota, canalha, imbecil, cachorro, ignorante, imaturo, inconseqüente... esses são os adjetivos que eu consigo imaginar agora... mas eu te amo!
Ela veio até mim e me beijou. O beijo mais verdadeiro que eu já recebi, o melhor beijo da minha vida.....
Agora nós estamos juntos, os meus amigos, ou melhor ex-amigos se pode chamar eles de amigos, não apoiaram, eu não liguei, agora tenho outros amigos, os nerds, mesmo não sendo um. Continuo popular, a galera do colégio, ou melhor, as garotas do colégio, adoraram a minha declaração via alto-falante. A Paula morreu de ciúmes, mas nenhuma garota me chama atenção, só ela. Por que? Porque eu a amo, simples assim.
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